A HISTÓRIA DOS VALDENSES

Por J. A. Wylie (1808-1890)
London: Cassell and Company, 1860

CAPÍTULO 8

PREPARATIVOS PARA UMA GUERRA DE EXTERMÍNIO

Pastor Gilles leva o protesto ao Duque – Sem notícias por três meses  Os monges de Pinerolo iniciam a perseguição – Ataque surpresa em San Martino  Felipe de Sabóia tenta uma Conciliação  Sermão de um monge  O Duque declara guerra aos valdenses – O terrível caráter seu exército  Os valdenses realizam um jejum  Escaramuças em Angrogna  Noite de Pânico  La Trinita Ocupa o vale de Lucerna  Uma intriga  Infrutíferas concessões – Abalos causados pelos Incidentes  La Trinita Exige 20 mil coroas dos Homens dos Vales – Ele se retira para sua caserna de inverno  Ultrajes de seus soldados


Qual seria o valdense que poria sua vida em risco e levaria o protesto ao Duque? O perigoso serviço foi entregue a M. Gilles, pastor de Bricherasio, um homem devotado e corajoso. Uma companhia foi associada com ele, mas cansou-se com o mau acolhimento e os insultos que encontrou no caminho e abandonou a missão, deixando a empreitada a Gilles somente. O Duque então vivia em Nice, pois Turim, sua capital, ainda estava nas mãos dos franceses, e a duração da viagem aumentou consideravelmente muito os seus riscos. Gilles chegou a Nice, em segurança, no entanto depois de muitas dificuldades e atrasos ele teve uma audiência com a rainha Margaret, que se comprometeu a colocar as representações de que era portador nas mãos de seu marido, o duque. O representante valdense também teve uma audiência com Felipe de Sabóia, irmão do duque, e um dos comissários sob o Ato de Purgação dos vales. O pastor valdense foi, no geral, bem recebido por ele. Porém, colocado em jugo desigual com o cruel e fanático Conde de La Trinita, Felipe de Sabóia tornou-se logo revoltado, e deixou o negócio sangrento inteiramente nas mãos de seu comissionário pessoal [Muston, p. 68.] Conforme considerou a rainha, seu coração estava nos vales; a causa dos pobres valdenses foi sua causa também. Mas ela ficou sozinha como intercessora junto ao duque, sua voz foi abafada pelas solicitações e as ameaças dos prelados, o rei da Espanha, e o Papa [Muston, p. 72].

Durante três meses não veio nem carta nem edito da corte em Nice. Se os homens dos vales estavam impacientes para conhecer o destino que os aguardava, seus inimigos, sedentos por pilhagem e sangue, estavam ainda mais. Estes, não mais podendo conter sua cólera, começaram a perseguição por sua própria conta. Eles pensavam saber as intenções do seu soberano, e ousaram antecipá-las.

O toque de alarme foi tocado do Mosteiro de Pinerolo. Debruçados sobre a fronteira dos vales, os monges deste estabelecimento mantinham os olhos fixos nos "hereges dos montes", como abutres observando suas presas, sempre prontos para atacar qualquer aldeia ou vale quando as encontrassem desguarnecidas. Eles contrataram um bando de saqueadores, a quem enviaram para a pilhagem. O bando voltou trazendo diante deles um grupo miserável de cativos, que haviam arrastado de suas casas e vinhas nas montanhas. Os mais pobres eles queimaram vivos, ou enviaram para as galés, os ricos eles prenderam até que pagassem o resgate pelo qual foram detidos [Muston, p. 69. Monastier, p. 178].

O exemplo dos monges foi seguido por alguns proprietários de terras papistas no Vale de San Martino. Os dois senhores feudais de Perrier atacaram antes do raiar do dia de dois de abril de 1560, os moradores de Rioclareto, com um bando armado. Alguns eles mataram, o restante expulsaram, sem roupas ou comida, a perecer nas montanhas cobertas de neve. Os bandidos que haviam os expulsado se apossaram de suas moradias, afirmando que ninguém devia reocupá-las a menos que estivessem dispostos a ir à missa. Eles mantiveram a posse por apenas três dias, pois os valdenses do Vale do Clusone, em número de quatrocentos, ao tomarem conhecimento do ultraje, cruzaram as montanhas, expulsaram os invasores e restabeleceram seus irmãos [Muston, p. 70. Monastier, p. 176-7].
 
Em seguida apareceu nos vales, Felipe de Sabóia, Conde de Raconis, e Comissário-Chefe. Ele era um católico fervoroso, mas um homem benevolente e justo. Ele um dia ouviou um sermão na igreja valdense de Angrogna, e ficou tão satisfeito com o que ouviu que obteve do pastor um esboço da fé valdense para enviá-la a Roma, na esperança de que o papa deixasse de perseguir um credo que parecia tão pouco herético. Verdadeiramente uma esperança otimista! Onde o honesto conde tinha visto muito pouco de heresia, o Papa Pio IV, viu um grande negócio; e nem sequer permitiu um debate com os pastores valdenses, como o conde tinha proposto. Ele estenderia sua benignidade não mais do que para absolver "de seus crimes passados" todos os que estavam dispostos a entrar na Igreja de Roma. Isso não foi muito animador, ainda assim o conde não abandonou a sua idéia de conciliação. Em junho de 1560, veio uma segunda vez para o Vale de Lucerna, acompanhado por seu colega, La Trinita, e junto com os pastores e chefes de família, ele disse que a perseguição iria cessar de imediato, desde que consentissem em ouvir os pregadores que tinha trazido com ele, os Irmãos da Doutrina Cristã. Ele ainda propôs que eles deveriam silenciar os seus próprios ministros, enquanto eles estavam fazendo prova da sua. Os valdenses manifestaram a vontade de consentir, desde que os ministros do conde pregassem o Evangelho puro; mas se eles pregassem tradições humanas, eles (os valdenses) obrigatoriamente não aceitariam; e não aceitariam silenciar os seus próprios ministros, era lógico que eles primeiro permitissem fazer julgamento dos pregadores do conde. Poucos dias depois, eles tiveram uma amostra dos novos expositores. Selecionando o mais capaz entre eles, o fizeram subir ao púlpito e pregar a uma congregação só de valdenses. Ele tomou uma forma muito eficaz para fazê-los escutar. "Vou demonstrar a vocês", disse ele, "que a missa é encontrada nas Escrituras. A palavra massah significa 'enviado', não é?". "Não exatamente", responderam seus ouvintes, que sabiam mais sobre o hebraico do que o pregador papista. "A expressão primitiva", continuou ele, "Ite missa est, era empregada para fazer separação do sacerdote da congregação, não era?" "Isso é bem verdade", responderam seus ouvintes, sem entender muito claramente sobre o seu enfadonho argumento. "Bem, então se vê, senhores, que a missa se encontra na Sagrada Escritura" [Muston, p. 71. Monastier, p. 177-8]. A congregação foi incapaz de determinar se o pastor estava argumentado com eles, ou simplesmente rindo deles.

Encontrando os valdenses obstinados, como ele os considerava, o duque de Sabóia, em outubro de 1560, declarou guerra contra eles. Logo no início desse mês um rumor terrível atingiu os vales, ou seja, que o duque estava recrutando um exército para exterminá-los. As outras notícias não eram melhores. O duque ofereceu livre perdão a todos os "bandidos, condenados e vagabundos", que se inscrevessem como voluntários para servir contra os valdenses. Pouco tempo depois, um exército de um caráter verdadeiramente terrível foi montado. Os valdenses pareciam condenados à destruição total e inevitável. Os pastores e chefes de famílias se reuniram para deliberar sobre as medidas a serem tomadas neste terrível momento de crise. Sentindo que o seu refúgio estava somente em Deus, eles resolveram que não iriam tomar nenhum meio para escaparem que pudesse ser ofensivo para Ele, ou desonroso para eles mesmos. Os pastores foram exortar a cada um a se consagrar a Deus, com verdadeira fé, arrependimento sincero e ardente oração, e como medidas de defesa, eles recomendaram que cada família devesse recolher suas provisões, roupas, utensílios e rebanhos, e estarem prontos para no momento em que fossem alertados transportá-los, juntamente com todas as pessoas doentes, às suas fortalezas nas montanhas. Enquanto isso, o exército do duque - se o banditismo recrutado do Piemonte poderia ser assim chamado - chegava mais perto a cada dia [Muston, p. 72. Monastier, p. 182].
 
Em 31 de outubro, um anúncio foi publicado em todo o Vale do Angrogna, chamando os moradores para retornar para o seio da igreja romana, sob pena de extermínio pelo fogo e espada. No dia seguinte, primeiro de novembro, o exército do Papa apareceu na Bubiana, na margem direita do Pelice, na entrada dos vales valdenses. As hostes numeradas eram de 4000 na infantaria e 200 à cavalo, que incluía, além dos bandidos que formaram o corpo principal, alguns veteranos, que tinham vindo em grande quantidade de serviços nas guerras com a França [Carta de Scipio Lentullus, pastor de San Giovanni. (Leger, Hist. Des Eglises Vaud., Livr. II., P. 35).]

Os valdenses, tendo agora o inimigo à vista, se humilharam, em um jejum público, diante de Deus. Em seguida, eles comeram juntos da Ceia do Senhor. Alentaram a alma por esses serviços, e começaram a pôr em execução as medidas anteriormente decididas. Os velhos e as mulheres escalaram as montanhas, as despertando com os ecos dos salmos que cantavam em seu caminho para Pra Del Tor, em cujas naturais muralhas de pedra e picos nevados procuravam asilo. A população valdense dos vales naquela época não era mais do que 18 mil; seus homens armados não excediam 1200, estes foram distribuídos em vários passes e barricadas para se opor ao inimigo, que agora estava perto. [É o que diz o Pastor de Giovanni, Scipio Lentullus, na carta já referida. (Leger Livr. II., P. 35).]

Em dois de novembro o exército do Piemonte, colocando-se em movimento, atravessou o Pelice, e avançou ao longo do estreito desfiladeiro que leva aos vales, com as alturas de Bricherasio à direita, e as esporas do Monte Friolante à esquerda, com as massas imponentes do Vandalin e Castelluzzo na frente. Os piemonteses acamparam nas campinas de San Giovanni, a uma curta distância do ponto onde o Vale de Lucerna e o Vale de Angrogna se dividem, o primeiro se expande para uma ampla e sublime campina e vinha, correndo entre magníficas montanhas, como se fossem ricas roupas de pastagens, bosques de castanheiras e chalés, até que termina na passagem selvagem de Miraboue, e este último exposto ao vento e inclinado em uma grande sucessão de precipícios e gargantas e pequenos vales isolados de gramíneas, até desembocar no vale em forma de funil, em torno dos quais as montanhas coroadas de gelo ficam como sentinelas eternas.

Foi o último destes dois vales (Angrogna) que La Trinita ensaiou entrar primeiro. Ele marchou com 1200 homens para ela, as asas de seu exército se dispuseram sobre as alturas limítrofes de La Cotiere. Seus soldados foram opostos apenas por um pequeno corpo de valdenses, alguns dos quais estavam armados apenas com estilingue e bestas. Em escaramuças com o inimigo, os valdenses recuavam, lutando, até as partes mais altas. Quando anoiteceu nenhum dos lados poderia reivindicar uma vantagem decisiva. Cansados com as escaramuças, os dois exércitos se acamparam durante a noite - os valdenses no alto de Roccomaneot, e os piemonteses, com suas fogueiras acesas, sobre os montes mais baixos de La Cotiere.
 
De repente, o silêncio da noite foi surpreendido por uma mensagem irônica, que surgiu da hoste piemontês. O que tinha acontecido para evocar esses sons do desprezo? Eles tinham avistado, entre eles e o céu, nas alturas acima deles, as figuras dos valdenses encurvados. De joelhos, os guerreiros valdenses estavam suplicando ao Deus das batalhas. Mal tinha a zombaria dos piemonteses se desvanecido, quando foi ouvido um tambor bater em um vale lateral. Uma criança tinha pego o instrumento, e estava se divertindo com ele. Os soldados de La Trinita viram em sua imaginação um novo corpo de valdenses avançando deste vale lateral para os atacar. Eles tomaram suas armas em total desordem. Os valdenses, vendo o movimento do inimigo, tomaram as suas também, e correram morro abaixo, para antecipar o ataque. Os piemonteses jogaram fora suas armas e fugiram, perseguidos pelos valdenses, perdendo assim em meia hora o terreno que custou-lhes um dia de luta para ganhar. As armas abandonadas pelos fugitivos se tornaram uma oferta muito necessária e muito oportuna para os valdenses. Como o resultado dos combates do dia, La Trinita tinha sessenta e sete homens mortos, dos valdenses, apenas três tinham caído [Carta de Scipio Lentullus. (Leger Livr. II., P. 25). Muston, p. 73-4].
 
Abrindo do lado esquerdo de La Trinita estava o Vale de Lucerna vestido de milharais, vinhas e suas muralhas de montanhas, com suas torres, Villaro, Bobbio e outras formando o mais nobre dos Vales Valdenses. La Trinita agora ocupou este vale com seus soldados. Esta foi uma conquista relativamente fácil, pois quase todos os seus habitantes fugiram para Pra Del Tor. Aqueles que permaneceram eram em sua maioria romanistas, que naquele tempo, viviam misturados com a população valdense, e mesmo eles, confiaram suas esposas e filhas aos cuidados de seus vizinhos valdenses, os enviando para Pra Del Tor, a fim de escapar dos atentados brutais do exército do Papa. Nos dias seguintes La Trinita teve algumas pequenas batalhas com os valdenses, em todas foi repelido com abate considerável. A natureza árdua da tarefa que tinha em mãos agora começou a pesar sobre ele.

Os montanhistas, ele viu, eram corajosos e determinados a morrer ao invés de submeter as suas consciências ao Papa, e suas famílias – esposas e filhas - aos desejos de seus soldados. Ele descobriu, além disso, que eles eram um povo simples e confiante, totalmente ignorante nos caminhos da intriga. Ele estava encantado de encontrar essas qualidades neles, pois pensava em como poderia atraí-los para uma armadilha. Ele tinha as ferramentas com ele como astúcia e vilania como tinha em si mesmo - Jacomel, o inquisidor, e Gastand, seu secretário, o último fingiu amor ao Evangelho. Esses homens que ele tinha para sua obra. Quando tinham as palavras preparadas, ele reuniu os principais homens dos valdenses, e recitou-lhes algumas coisas lisonjeiras, que tinha ouvido, ou professava ter ouvido, que o duque e a duquesa fizeram uso em relação a eles; ele protestou que isso não era um negócio agradável para o que foi contratado, e que ele ficaria feliz em encerrá-lo; a paz, pensou ele, poderia facilmente ser arranjada, se eles apenas fizessem algumas pequenas concessões para mostrar que eles eram homens razoáveis; ele propôs que eles devessem depositar as suas armas na casa de um dos seus representantes, e permitir-lhe, pela mesma forma, ir com um pequeno comboio, e celebrar uma missa na Igreja de São Laurenzo, em Angrogna, e depois fazer uma visita a Pra Del Tor. A proposta de La Trinita provou a precisão da estima que se havia formado sobre os crentes dos vales. As pessoas passaram a noite inteira deliberando sobre a proposta do conde e, ao contrário da opinião de seus pastores e alguns de seus leigos, concordaram em aceitá-la [Leger, Livr. ii., p. 35. Monastier, p. 184-5].
 
O general do Papa citou sua missa na igreja. Depois disso, ele atravessou o desfiladeiro sombrio que leva à famosa Pra Del Tor, em cujas verdes encostas, com as suas muralhas de neve, ele estava tão desejoso de ver com seus olhos, porém, é dito, ele mostrou evidente agitação quando passou pelo poço negro de Tompie, com suas memórias de retribuição. Tendo realizado esses feitos em segurança, ele voltou a vestir a máscara de um pouco antes.
Ele retomou os esforços em que professava ser tão disposto, sério e louvável, de realizar a paz. O duque havia chegado mais perto, e estava vivendo em Vercelli, na planície do Piemonte, La Trinita pensou que os valdenses deveriam por todos os meios enviar para lá representantes. Isso reforçaria a sua súplica - de fato, mas para garantir seu sucesso - se eles arrecadassem uma soma de 20 mil coroas. Mediante o pagamento desse montante iria retirar o seu exército, e deixá-los praticar a sua religião em paz [Leger, Livr. ii., p. 35]. Os valdenses, incapazes de entender a dissimulação de La Trinita, fizeram concessão após concessão. Eles já haviam deposto as armas, eles já tinham enviado representantes ao duque; a seguir, eles tributaram a si mesmos para subornar seus soldados, e por fim, e o pior de tudo, a demanda de La Trinita, eles mandaram embora seus pastores. Era terrível pensar em uma viagem através do Col Julien naquela época, ainda que tivessem que ter de ir embora. Ao longo dos seus cumes nevados, onde a neve do inverno continuamente obstruía a passagem e empilhava coroas de flores, entre os Vales do Prali e San Martino, e sobre as montanhas de gelo, tinha esse triste grupo de pastores que seguiam seu caminho: encontrar refúgio entre os protestantes franceses no Vale de Pragelas. Este percurso difícil e perigoso foi imposto, pois o caminho mais direto, através do Vale de Perosa, estava fechado pelos saqueadores e assassinos que o infestavam, e especialmente por aqueles pagos pelos monges de Pinerolo.
 
O Conde acreditava que as pessoas pobres estavam, agora, totalmente em seu poder. Seus soldados fizeram suas barbaridades no Vale de Lucerna. Saquearam as casas abandonadas pelos valdenses. Os poucos habitantes que permaneceram, bem como aqueles que tinham retornado, pensando que durante as negociações de paz as hostilidades seriam suspensas, fugiram pela segunda vez, e procuraram refúgio nas matas e cavernas nas partes superiores dos vales. As atrocidades cometidas pelos bandidos a quem o Vale de Lucerna foi entregue agora eram de uma crueldade que quase não pode ser registrada aqui. Um homem indefeso, que viveu cento e três anos, foi colocado em uma caverna, e sua neta, uma menina de dezessete anos, foi deixada lá para cuidar dele. Os soldados descobriram seu esconderijo, o velho foi assassinado, e a sua neta seria a próxima. Ela fugiu da perseguição brutal dos soldados, pulou de um precipício e morreu. Em outro exemplo, um homem velho foi perseguido até a beira de um precipício por um dos soldados de La Trinita. O valdense não tinha alternativa senão lançar-se sobre o abismo ou morrer pela espada do seu perseguidor. Ele parou, virou-se e caiu de joelhos, como a suplicar por sua vida. O soldado estava levantando a espada para golpeá-lo, quando o valdense apertando-o firmemente em volta das pernas, e balançando-se para trás com toda sua força, rolou pelo precipício, levando o soldado com ele para o abismo.

Parte do montante acordado entre La Trinita e os valdenses já tinha sido pago a ele. Para levantar esse dinheiro as pessoas pobres não tinham outra saída a não ser vender seus rebanhos. O conde já retirara o seu exército para quartéis de inverno em Cavour, um ponto tão próximo dos vales que uma marcha de algumas horas lhe permitiria voltar a introduzi-los a qualquer momento. O milho, azeite e vinho que não tinha sido capaz de levar embora, ele destruiu. Até mesmo os moinhos ele reduziu a escombros. Seu projeto parecia ser deixar aos valdenses somente a alternativa de submissão, ou de morrer de fome em suas montanhas. Para os afligir ainda mais, ele colocou guarnições em postos estratégicos nos vales, e, na extrema libertinagem da sua tirania, exigiu daqueles que sequer tinham pão para comer que devessem fornecer alimentos para seus soldados. Estes soldados estavam constantemente rondando em busca de vítimas para satisfazer a sua crueldade e desejo. Aqueles que tiveram a infelicidade indescritível de ser arrastado para algum covil teve de sofrer, se homens, tortura excruciante, se mulher, afrontoso estupro [Muston, p. 77. Monastier, p. 186-7].

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte:  Providence Baptist Ministries

A História dos Valdenses:
Prefécio e Introdução
Capítulo 1:
Os Valdenses, seus Vales
Capítulo 2:
Os Valdenses, suas Missões e Martírios
Capítulo 3:
Suas Primeiras Perseguições
Capítulo 4:
A Expedição de Cataneo contra os Crentes do Deuphine e Piemonte
Capítulo 5:
O Fracasso da Expedição de Cataneo
Capítulo 6:
Sínodo nos Vales Valdenses

Capítulo 7:
Perseguições e Martírios

Capítulo 9:
A Grande Campanha de 1561
Capítulo 10:
Colônias Valdenses na Calábria e Apúlia
Capítulo 11:
Extinção dos Valndenses na Calábria
Capítulo 12:
O Ano da Praga
Capítulo 13:
O Grande Massacre
Capítulo 14:
Façanhas de Gianavello - Massacre e Pilhagem em Rora

Capítulo 15:
O Exílio
Capítulo 16:
O Retorno aos Vales
Capítulo 17:
Restabelecimento Final nos Vales

Último Capítulo:
As Condições dos Valdenses desde 1690


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