EXPOR O ERRO: VALE A PENA?

Dr. Harry Ironside

Objeções tem surgido até mesmo entre alguns crentes bíblicos em relação a exposição do erro como sendo totalmente negativo e sem produzir real edificação. Ultimamente, o alarido e lamúrias tem sido contra todo e qualquer ensino negativo. Mas os irmãos que assumem esta atitude se esquecem que grande parte do Novo Testamento, tanto dos ensinos de nosso Salvador como dos escritos dos apóstolos foi direcionado a mostrar o verdadeiro caráter dos falsos ministros, mostrando sua origem satânica e, portanto, o perturbador resultado da propagação de ensinos errôneos, o qual Pedro, em sua segunda epístola, assim se refere de forma definitiva como sendo "heresias de perdição".
Nosso Senhor profetizou que surgiriam muitos falsos profetas, e enganariam a muitos. Em nossos dias, muitos falsos profetas tem surgido; e como muitos tem sido enganados por eles! Paulo predisse isso: "Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai" (Atos 20:29-31). 

Minha própria observação é que esses "lobos cruéis", sozinhos e em alcatéia, não poupam nem mesmo os rebanhos mais protegidos. Pastores nesses "tempos trabalhosos" fariam bem em notar o alerta dos apóstolos: "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue" (Atos 20:28).
Isso é tão importante nesses dias como o foi, de fato, nos dias de Paulo, esta importante ação – de expor os muitos tipos de falsos ensinos que, em todos os lugares, abundam mais e mais.

Somos chamados a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos", embora falando a verdade em amor. A fé significa todo o corpo da verdade revelada e batalhar por toda a verdade de Deus implica necessariamente em algum ensino negativo. O poder de escolha não nos é dado nessa questão.

"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo" (Judas 3,4).
Paulo, de igual maneira, nos admoesta: "E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as" (Efésios 5:11) .
Isto não implica tratar de forma áspera esses que estão do lado oposto, completamente enlaçados pelo erro. Se a objeção que expor o erro necessita uma ponderação desamável sobre outros que não enxergam as coisas como nós, nossa resposta é: sempre foi o dever de um leal servo de Cristo alertar contra qualquer ensino que o fizesse menos precioso ou restringisse Sua obra redentora e a plena suficiência de seu atual ofício de sumo sacerdote e advogado.  

Todo sistema de ensino pode ser julgado pelo seu posicionamento em relação as verdades fundamentais da fé. "Que pensais vós do Cristo?" (Mateus 22:42) ainda é o verdadeiro teste de toda crença. O Cristo da Bíblia não é certamente o Cristo de qualquer falso "ismo." Cada uma das seitas deste mundo tem certamente sua caricatura horrorosa de nosso amável Deus. 
Deixe-me lembrá-lo que fomos redimidos às custas de Seu precioso sangue para sermos "bons soldados". Como a batalha contra as forças das trevas está se tornando cada vez mais acirrada, precisamos da força do Senhor.
Há uma constante tentação para a concessão. "Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério". Sempre é correto ficar firme no que Deus já revelou em relação a pessoa e obra de Seu Filho. O "pai da mentira" lança meias-verdades e é especialista principalmente em falácias sutis em relação ao Senhor Jesus, nosso único e suficiente Salvador.
O erro é como o fermento o qual lemos: "Um pouco de fermento leveda toda a massa". A verdade misturada com o erro é equivalente ao erro total, exceto que aparenta ser mais inocente, portanto, mais perigoso. Deus odeia tal mistura! Qualquer erro, ou qualquer mistura tipo verdade-com-erro deve ser definitivamente tratada com repúdio e ser exposta. Fechar os olhos para isso é ser infiel e enganoso para com Deus ao expor as almas por quem Cristo deu a Sua vida.

Expor o erro é um trabalho muito impopular. Mas de um ponto de vista verdadeiro é uma tarefa que vale a pena. De nosso Salvador, significa que Ele recebe de nós, pelo Seu sangue que nos comprou, a lealdade que é devida à Ele. Para nós mesmos, se consideramos mais "o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito" (Hebreus 11:26) assegura recompensa futura, mil vezes dobrada. E para as almas "que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço" (Eclesiastes  9:12) Deus pode ainda significar enquanto viverem neste mundo a possibilidade de ser luz e vida, abundante e eterna.

Dr. Harry Ironside (1876-1951) foi um devoto fundamentalista, escritor e professor por muitos anos, serviu como pastor em Chicago, na Moody Memorial Church de 1930 a 1948.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte: Jesus is Savior

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