O CAMINHO DOS MÍSTICOS & AS RAÍZES DA MORALIDADE DE A.W. TOZER

Por Tom Riggle

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"Lloyd-Jones, você e eu temos a mesma posição sobre assuntos espirituais, mas chegamos a esta posição por caminhos diferentes".
 
Este comentário de A.W. Tozer foi feito para o famoso pregador e escritor britânico Martin Lloyd-Jones numa conferência bíblica onde ambos eram palestrantes. Intrigado com isso, Lloyd-Jones perguntou o que ele queria dizer. Tozer respondeu:
 
"Bem, você veio pelo caminho dos puritanos ... e eu vim pelo caminho dos místicos".
 
Lloyd-Jones aceitou essa declaração*. Mas talvez devêssemos considerar este ponto mais atentamente, porque esta é a chave para compreender o coração da teologia de A.W. Tozer, e o sério erro que está nela.
 
Este artigo irá examinar o seguinte:
 
1. Foi essa uma observação improvisada de Tozer, um comentário descuidado que precisa ser visto à luz de outras observações?
2. Se não, quem são esses místicos a quem Tozer dá créditos pelo caminho que o conduziu até a maturidade em questões espirituais?
3. Eles são em tudo semelhantes na ortodoxia básica com relação aos puritanos - ou até mesmo para o espectro mais amplo do cristianismo bíblico - ou é completamente o oposto?
 
Por favor, leia este artigo com imparcialidade de coração e de mente. Eu pesquisei muito sobre este homem; um homem que uma vez eu admirava muito - como talvez você - e eu fiz isso com a Bíblia aberta, como muitas vezes Tozer sugeria. Mas quanto mais eu o estudava mais a admiração diminuía, e foi sendo substituída pelo alarme - e pela exasperação.
 
Primeiro de tudo: Isto foi meramente uma observação irrefletida ou isolada? Ou ele falou em outros lugares na mesma linha de pensamento?
 
Considere as seguintes três citações. Itálicos do autor:
 
1. "Por mim, estou reverentemente interessado em ensinar nada além de Cristo crucificado. Pois para eu aceitar um ensinamento, ou mesmo uma ênfase, eu devo estar convencido de que é bíblico e totalmente apostólico em espírito e estado. E deve estar em total harmonia com o melhor da igreja histórica e na tradição marcada pelas melhores obras devocionais, a mais doce e mais radiante hinologia e as mais sublimes experiências reveladas na biografia cristã".
 
"É preciso viver dentro do padrão da verdade que nos deram essas santas almas como Bernardo de Claraval, João da Cruz, Miguel de Molinos, Nicolau de Cusa, John Fletcher, David Brainerd, Reginal Heber, Evan Roberts, General Booth e uma série de outras almas que, enquanto eram menos dotados e menos conhecidos, constituíram o que o doutor Paul S. Rees (em outro contexto) chama de "a semente da sobrevivência". E seu termo é válido, pois foram cristãos extraordinários como estes que salvaram o cristianismo de entrar em colapso sob o peso absoluto da mediocridade espiritual a que se viu obrigado a carregar". De "Keys to the Deeper Life", "A New Yearning Among Evangelicals" (1957, Sunday Magazine).

2. "As obras devocionais que apareceram tem sido tão variadas a ponto de tornar a classificação difícil. Alguns dos grandes nomes são Meister Eckhart, Bernardo de Claraval, Jan van Ruysbroeck, Miguel de Molinos, João da Cruz, Thomas Traherne, Richard Rolle, William Law, Walter Hilton, Francisco de Sales, Jakob Boehme e Gerhart Tersteegen. A estes poderiam ser acrescentados os nomes mais familiares de Fenelon, [Madame] Guyon e Thomas Kempis".
 
"Em grande medida, estes eram cristãos universais que experimentaram a graça de Deus de forma tão profunda e tão ampla que englobaram as possibilidades espirituais de todos os homens e foram capazes de expor suas experiências religiosas em linguagem aceitável para os cristãos de várias épocas e de diferentes pontos de vista doutrinários".
 
Tozer termina este devocional com o seguinte pensamento:
 
"O quanto devemos para aqueles que caminharam com Deus nos dias passados e nos deixaram um registro de suas experiências. Seu contexto religioso, terminologia e prática podem ser diferentes dos nossos, mas seu amor por Cristo brilha. Eles nos impelem a Deus!" Dos devocionais "Books to be Chewed and Digested", e "The use and Abuse of Good Books".
 
Nesta próxima citação, Tozer lamenta o estado caído do cristianismo atual. Nós concordamos, mas olhando para o que ele aponta, volta para o nosso ponto anterior principal:
 
3. "As adorações apaixonadas de Teresa de Ávila e Madame Guyon são uma coisa do passado. O Cristianismo caiu nas mãos de líderes que não conheceram a José. A própria memória dos melhores dias está lentamente se extinguindo e um novo tipo de pessoa religiosa está emergindo. Como é o ouro manchado e a prata que se torna em chumbo! Se o cristianismo bíblico é sobreviver à turbulência atual do mundo, precisamos recapturar o espírito de adoração". De "That Incredible Christian", capítulo intitulado "The Art of True Worship".
 
Estes três extratos de Tozer suficientemente demonstram a grande consideração que ele tinha pelos místicos do passado. Mais do que isso, eles demonstram que ele os considerava não como a margem ou a extremidade do cristianismo, mas como a epítome do "cristianismo bíblico" e exemplos do "espírito de adoração". Não deve ser omitido que qualquer que seja o louvor preliminar necessário, primeiro é dado a Bíblia e os ensinamentos de "Cristo crucificado"; esses santos que ele lista - e uma minoria realmente o são, como Brainerd - estão definidos como os nossos verdadeiros exemplos a serem seguidos. Estes são os "cristãos extraordinários", "cristãos universais" de Tozer. Eles são a própria "semente da sobrevivência [da Igreja]" que "salvaram o cristianismo". Este é um tema comum dele. Qualquer pessoa que tenha um lido uma série de seus livros já se deparou com este tema recorrente. De acordo com Tozer, essas pessoas extraordinárias experimentaram muito do que precisamos hoje.
 
Mas isso é verdade? E são todos esses - biblicamente falando - santos? Nem um pouco. Muitos deles eram não apenas católicos (como seria de esperar para a época), mas também eram declaradamente anti-Reforma e, portanto, anti-cristãos.
Teresa de Ávila, uma das "cristãs incríveis" de Tozer em seu livro "Caminho de Perfeição" (um livro muito elogiado por ele) reclamou dos "danos e estragos que estão sendo feitos na França por estes luteranos e da maneira com que sua infeliz seita está aumentando". Ela continuou:
 
"Isso me preocupava muito, e, como se eu pudesse fazer alguma coisa, ou ser de alguma ajuda na questão, eu chorava diante do Senhor e pedia a Ele para resolver este grande mal. Eu senti que teriam mil vidas sacrificadas para salvar uma única de todas as almas que estavam sendo perdidas lá".
 
De quem ela está falando? Estes são ninguém menos que os huguenotes, muitos dos quais pagaram o preço supremo por sua fé durante o infame massacre da noite de São Bartolomeu. E quem A.W. Tozer louva como sendo exemplo para os cristãos modernos? Não eles – mas ela!
 
Então, qual é o problema?

Um irmão reformado me avisou de uma maneira amigável que eu não deveria ir por este "caminho sem propósito contra Tozer", mas deveria, antes, atacar os verdadeiros inimigos do cristianismo bíblico como Rick Warren. Mas Rick Warren já tem - e ainda mais desde o tempo em que este conselho bem intencionado foi oferecido - abundância de críticos, especialmente entre os escritores reformados.
 
Mas esse não é o caso com A.W. Tozer. As Bíblias não têm sido tão prontamente aplicadas a Tozer quanto a Warren. Ele, surpreendentemente, muitas vezes é mesmo mostrado, anunciado com proeminência, de forma elogiosa em muitos de seus sites, e bem falado por alguns desses mesmos escritores que criticam Warren. Isto parece ser verdade, especialmente de escritores reformados. Este é o lugar onde, acredito, esteja seu ponto cego. A Bíblia não é tanto aplicada a ele, porque Tozer parece já aplicá-la a si mesmo, ao prefaciar e harmonizar seus elogios místicos com referências bíblicas precisas.
 
No entanto, aqui é o que parece ser omitido muitas vezes: Tozer não aplica a Escritura tanto quanto faz alusão a ela. Ele a aplica seletiva e ilustrativamente, e não no contexto. "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles", Isaías 8:20.
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*Martin Lloyd-Jones, infelizmente, como se viu, até o final de sua vida, admitiu mais do que este ponto. Sua fraca resistência ao "cristianismo místico" deu frutos inesperados no seu próprio ministério e, especialmente, em seu legado para a geração seguinte de sua própria congregação. Eu acredito que sua falta de vontade em manter todas as experiências em uma estrita importância espiritual, e seu reconhecimento sem discernimento para a continuidade dos dons de sinais em sua igreja, resultou na queda de sua própria igreja após sua morte. Seu sucessor levou sua igreja muito mais abaixo na estrada carismática que Lloyd-Jones tinha pretendido.

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Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte: asterisktom.xanga.com

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